GUIA PARA BANDAS INDEPENDENTES - 3º CAPÍTULO - CONVIVÊNCIA INTERPESSOAL
12 de Julho de 2010 @ 20:40 por alecavaloCONVIVÊNCIA INTERPESSOAL
Formar uma banda já não é uma tarefa das mais fáceis. Achar as pessoas certas e que tenham afinidades entre si, que queiram fazer as coisas juntos e começar a ensaiar é dar os primeiros passos. Mantê-la coesa e na ativa então, muito mais difícil. Digo isso, inclusive, para artistas que caem na estrada sozinhos. Mesmo eles, muitas vezes, têm que montar uma banda para acompanhá-los e, quando não se tem dinheiro, tem que contar com a brodagem dos amigos e de outros músicos que acreditam no trabalho. Acreditar e gostar do que se está fazendo é fundamental para se iniciar um trabalho.
Mesmo pessoas com afinidades musicais ou amizades antigas podem ter divergências radicais. Saber ouvir e usar essas diferenças de opiniões para forjar o estilo da banda pode ser um ponto forte e até um diferencial. Ninguém é dono da verdade. Experimentar novos elementos respeitando os parceiros é uma forma de aprendizado. Claro que isso deve ser levado numa boa, todos devem se divertir com o que estão fazendo. A música é para gerar prazer, passar idéias, divertir, contagiar e contaminar. Vamos deixar a seriedade de lado, trabalho e prazer devem se misturar mesmo quando tratam de temas sérios ou tristes.
As Velhas já estavam na estrada e tocávamos no underground paulistano com certa freqüência quando o Paulão chegou com uma música chamada B.U.C.E.T.A.. Foi uma briga. Ninguém queria tocar, achávamos que o pessoal iria jogar latas na gente.
Isso era o começo dos anos 90. Ainda não tinha Raimundos nas rádios e ninguém falava esse tipo de coisa com todas as letras. Paulão insistiu para que testássemos a canção e, se não desse certo, ele aboliria a idéia. Acontece que a música foi um sucesso ao vivo e acabou norteando todo nosso trabalho posterior.
Acabamos encontrando um diferencial onde ninguém esperava. Isso só aconteceu porque a gente tinha um grau de comunicação grande, respeito um pelo outro para ouvir novas sugestões e coragem para colocar em prática. A convivência e a amizade são importantes tanto para o desenvolvimento da banda como para mantê-la viva.
Amizade, lealdade, honestidade, respeito, um espírito de diversão, e saber que todos são importantes, mas ninguém é insubstituível, são qualidades essenciais para o bom relacionamento de um grupo de pessoas que resolveram trabalhar juntas. Felizmente, cada pessoa é um ser diferente e aprender a conviver com o diferente faz parte da vida. Pode parecer que estou falando o óbvio. Mas o óbvio muitas vezes é o mais complicado.
Isso aí! Cair na estrada é sensacional! Melhor que qualquer outra coisa. Também é cansativo e desgasta os relacionamentos. É o exercício diário de agüentar o outro e a si mesmo que deve ser praticado. Brigas e discussões sempre vão existir, é saudável questionar. Saber a hora de tocar a bola e continuar também é importante. Lembre-se que nem sempre temos resposta para tudo e o show deve continuar. Mantenha seu sonho vivo sempre!


















