GUIA PARA BANDAS INDEPENDENTES - 3º CAPÍTULO - CONVIVÊNCIA INTERPESSOAL

12 de Julho de 2010 @ 20:40 por alecavalo

CONVIVÊNCIA INTERPESSOAL

Formar uma banda já não é uma tarefa das mais fáceis. Achar as pessoas certas e que tenham afinidades entre si, que queiram fazer as coisas juntos e começar a ensaiar é dar os primeiros passos. Mantê-la coesa e na ativa então, muito mais difícil. Digo isso, inclusive, para artistas que caem na estrada sozinhos. Mesmo eles, muitas vezes, têm que montar uma banda para acompanhá-los e, quando não se tem dinheiro, tem que contar com a brodagem dos amigos e de outros músicos que acreditam no trabalho. Acreditar e gostar do que se está fazendo é fundamental para se iniciar um trabalho.

Mesmo pessoas com afinidades musicais ou amizades antigas podem ter divergências radicais. Saber ouvir e usar essas diferenças de opiniões para forjar o estilo da banda pode ser um ponto forte e até um diferencial. Ninguém é dono da verdade. Experimentar novos elementos respeitando os parceiros é uma forma de aprendizado. Claro que isso deve ser levado numa boa, todos devem se divertir com o que estão fazendo. A música é para gerar prazer, passar idéias, divertir, contagiar e contaminar. Vamos deixar a seriedade de lado, trabalho e prazer devem se misturar mesmo quando tratam de temas sérios ou tristes.

As Velhas já estavam na estrada e tocávamos no underground paulistano com certa freqüência quando o Paulão chegou com uma música chamada B.U.C.E.T.A.. Foi uma briga. Ninguém queria tocar, achávamos que o pessoal iria jogar latas na gente.

Isso era o começo dos anos 90. Ainda não tinha Raimundos nas rádios e ninguém falava esse tipo de coisa com todas as letras. Paulão insistiu para que testássemos a canção e, se não desse certo, ele aboliria a idéia. Acontece que a música foi um sucesso ao vivo e acabou norteando todo nosso trabalho posterior.

Acabamos encontrando um diferencial onde ninguém esperava. Isso só aconteceu porque a gente tinha um grau de comunicação grande, respeito um pelo outro para ouvir novas sugestões e coragem para colocar em prática. A convivência e a amizade são importantes tanto para o desenvolvimento da banda como para mantê-la viva.

Amizade, lealdade, honestidade, respeito, um espírito de diversão, e saber que todos são importantes, mas ninguém é insubstituível, são qualidades essenciais para o bom relacionamento de um grupo de pessoas que resolveram trabalhar juntas. Felizmente, cada pessoa é um ser diferente e aprender a conviver com o diferente faz parte da vida. Pode parecer que estou falando o óbvio. Mas o óbvio muitas vezes é o mais complicado.

Isso aí! Cair na estrada é sensacional! Melhor que qualquer outra coisa. Também é cansativo e desgasta os relacionamentos. É o exercício diário de agüentar o outro e a si mesmo que deve ser praticado. Brigas e discussões sempre vão existir, é saudável questionar. Saber a hora de tocar a bola e continuar também é importante. Lembre-se que nem sempre temos resposta para tudo e o show deve continuar. Mantenha seu sonho vivo sempre!

Guia para bandas independentes - 2ºCapítulo - Independência

2 de Julho de 2010 @ 15:29 por alecavalo

INDEPENDÊNCIA

O que é ser independente? “A independência é a condição de uma pessoa ou coletividade que não se submete a outra autoridade e se governa por suas próprias leis.”

Lendo daqui imagino que deva ser fácil fazer. Minha experiência e a experiência de muitas pessoas que convivi durante esse tempo todo mostra que não é tão simples assim.Vamos rapidamente colocar a noção de independência dentro do contexto da produção musical.

Hoje parece bonito bater no peito e gritar que é um “independente”, que não precisa dos apoios de gravadoras, empresários ou mídia. Mas a coisa não é bem assim. Para o artista que já foi do “mainstream”, isto é, o cara que já conheceu o sucesso, a independência parece um caminho natural para se obter maiores ganhos, fixar um público cativo e manter a coerência do trabalho. Não é para esse cidadão que quero falar. Esse conhece os caminhos e meandros do estrelato e sabe o que pode fazer. Isso não o isenta de cometer erros fantásticos. Porém, leva a vida. Quero falar com as pessoas que estão começando e querem se jogar no mundo da música. Pessoas que querem começar uma carreira, trabalhar e ter seu lugar ao sol como artista.

Não importa o estilo ou caminho, a verdade é que, ou se tem muita sorte e grana ou terá que se trabalhar e ralar muito. Então vamos aos que realmente querem cair na estrada, comer poeira por esse mundo tocando e cantando suas canções.

Ser independente é criar, de alguma forma, uma maneira de sobreviver da sua música de forma coerente com seu trabalho artístico sem abrir concessões que desvirtuem as características da sua obra e sem precisar de investimentos absurdos de gravadoras de grande porte no início.

O próprio artista estabelece suas “leis”. Essas normas vão se forjando de acordo com o caminho que pretende percorrer. Isso passa pelo amadurecimento da banda, lapidação do estilo, aprimoramento técnico e artístico, formação de um público fiel que também influenciará e de forma direta na criação musical. Dentro dessas variáveis, existe seu código de conduta estético e ético. Não ceder a certas pressões faz parte do ser independente. Mas também pensar e analisar friamente críticas e propostas também faz.

Ser independente não quer dizer que você não possa aceitar ajuda de ninguém. Isso é burrice. Desde que não venha com imposições absurdas, as ajudas externas serão sempre bem-vindas. Infelizmente, elas são cada vez mais raras no nosso atual mercado.

Ter ou não ter parcerias não é relevante para a independência. Tem um monte de bandas que se associam com gravadoras e distribuidoras de diversos portes para viabilizar seus projetos.

A independência requer essas parcerias. Parece contraditório, mas, se bem analisado, veremos que o caminho fica mais curto para qualquer artista quando arruma parceiros.

A independência exige que você tome as rédeas de sua vida e do seu trabalho. As decisões ficam todas nas suas mãos, isso aumenta muito a responsabilidade e o deveres como também aumenta muito a sensação de conquista e a paz de espírito.

Foi isso que aconteceu com as Velhas Virgens em meados de 1998. Nós havíamos acabado de gravar nosso terceiro CD e as perspectivas de lançá-lo não eram nada promissoras. Vínhamos de duas experiências com selos independentes completamente diversas. O primeiro saiu por um selo cujo dono era um vigarista e quase acabou com a banda. O segundo chamava-se Primal, um selo da gravadora Velas, onde fomos tratados com respeito e tudo saiu melhor.

Enfim, vínhamos de dois CDs e muita turbulência. O mercado estava entrando numa época muito difícil para o rock. O fato é que, ou arrumávamos um jeito de lançar o disco ou iríamos ficar na maior roubada, com risco até de ter que acabar a banda.

Resolvi então criar a Gabaju Records para lançar os CDs das Velhas por falta de opção melhor e como alternativa de negócio. Não foi fácil convencer todo mundo que esse era um caminho a ser trilhado e que o tempo mostraria ser nossa tábua de salvação.

Todos ainda tinham aquela visão dos anos 80 em que uma banda entrava numa grande gravadora, recebia um cheque gordo de adiantamento e saia tocando nas rádios. O problema é que as grandes gravadoras já não estavam tão grandes e tão fortes e os cheques eram escassos e magros.

A criação da gravadora era um caminho possível, tanto que, depois daquele CD, já lançamos outros tantos, DVDs e uma linha de produtos com a marca das Velhas Virgens. Tudo isso pra dizer que a independência pode ser um caminho natural da banda ou simplesmente a única alternativa.

Como ter certeza de que vai dar certo? Não há garantias. Vai depender do talento, da capacidade de organização e persistência da banda como um todo. Uma vez fomos levar uma demo para o Pena Schmidt (produtor), na época lançando discos pelo selo Tinitus. Paulão e eu tivemos uma pequena conversa com ele e ouvimos coisas desagradáveis, mas que mudaram nossas vidas.

O Pena disse que a vida musical exigia uma vitalidade extraordinária. Que nós iríamos gastar toda nossa grana, iríamos gastar todo nosso tempo e ainda assim tudo poderia dar errado. O lance era sair tocando o máximo que puder. Tocar em todos os lugares, que as chances apareceriam por conta do trabalho.

Na época foi muito difícil pra gente ter que ouvir isso e muito mais coisas que não cabe aqui reproduzir. Foi então que nós paramos de fazer aquelas demos terríveis e nos concentramos nos shows. Foi quase que com ódio que nos jogamos na empreitada. Como alguém podia falar assim com a gente? Pensávamos, ingênuos. O pior é que ele tinha razão. Mudamos nosso foco e em pouco tempo estávamos lançando o primeiro trabalho.

Não espere ninguém fazer por você. Caia na estrada. Se sua banda realmente tiver talento e alguma coisa diferente pra mostras, as chances aparecerão. Tome as rédeas de sua vida e faça acontecer.

23 de Junho de 2010 @ 16:40 por alecavalo

Vou disponibilizar o breve Guia pra bandas independentes no blog das Velhas. Pra quem quiser acompanhar vou colocar semanalmente os textos do livro. Divirtam-se.

Alexandre Cavalo Dias

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

BREVE GUIA PARA PRODUÇÕES INDEPENDENTES

INTRODUÇÃO

Não tenho a pretensão de resumir o que é a vida artística independente. E sei que não vou conseguir fazer isso na sua totalidade durante o livro inteiro, mesmo por que as coisas mudam – e a minha cabeça também.

O mercado fonográfico finalmente se deu conta das mudanças que estão ocorrendo no mundo e está tentando acompanhar com um atraso que pode ser fatal. Demoraram muito pra acordar e vão ter que correr pra alcançar os avanços de artistas mais criativos. E acredito que o fato de as gravadoras e os selos independentes abocanharem mais da metade das vendas dos CDs comercializados legalmente é um dos responsáveis por essa mudança de mentalidade.

Fazer parcerias, músicas com qualidade (qualitativo e não o quantitativo), trabalhar em conjunto com os criadores buscando melhorar suas carreiras são apenas algumas das facetas que os independentes resgataram e que estavam se tornando “obsoletas” num mercado que visa, cada vez mais, o lucro como fim e não como conseqüência de um bom trabalho. Está na hora de reverter esse quadro. Empresas não são apenas para dar lucro. Têm que colocar para o público produtos de qualidade (não estou questionando estilo e nem gostos pessoais).

As grandes gravadoras já perceberam isso e estão realizando uma mudança forçada e um tanto tardia, nessa direção. Estão sentindo na pele que somente a venda de cds não segura mais a onda, que precisam cuidar das carreiras e não somente de um produto, e, principalmente, que música não é para ser vendida que nem sabão em pó. Claro que eles não vão dar o braço a torcer. Vão continuar lançando porcarias. Isso é uma crise mundial. Sempre foi assim. Mas dá pra farejar as mudanças no ar!

A música é para ser, tanto rebelde e revolucionária quanto bonita e talentosa. Para se fazer isso não existe manual. O que existe é uma busca constante por quebra de limites, criação e aprimoramento. A criatividade pode vencer barreiras inimagináveis. Então vamos botar nossas cabeças pra funcionar. Temos que ser músicos, sim! Temos que pensar em como levar nossa música ao público também. Sair da garagem é preciso. Mudar o mundo é preciso! Vou falar sobre isso e outras coisas no decorrer deste livro e espero que, de alguma forma, essas reflexões sobre a viabilização do trabalho musical sejam proveitosas.

Vocês vão ler sobre a experiência que tive e continuo tendo ao lado das Velhas Virgens em nossos mais de vinte anos de estrada e da Gabaju com mais de dez anos como gravadora independente. São mais de 150 mil CDs vendidos entre todos que lançamos, 25 mil DVDs, inúmeras camisetas, canecas, abridores de garrafa, calcinhas, roupas femininas e revistas vendidas em bancas, em lojas normais, na loja virtual e na loja dos shows com a marca Velhas Virgens. Vou contar todo o trabalho que estamos fazendo com a marca da banda, transformando um sonho numa forma de ganhar a vida de maneira sustentável.

Desejo coragem pra encarar os desafios que virão, persistência, coerência e sorte pra todos nós!
gabaju - gabaju

Conexão: Chapecó/SC - Belém/PA

26 de Novembro de 2009 @ 16:34 por alecavalo

Chapecó foi do grande caralho! Puta show e pessoas muito animadas. Sem contar a mulherada linda. Tinha um outdoor na frente da casa com o desenho das garotas se beijando. Como o tempo muda as coisas. Isso seria impensável aalguns anos atrás. Vai ter foto aí embaixo.
Pena que não deu pra aproveitar. Saímos direto do palco pra van e da van pro hotel. Banho e correr pro aeroporto.
Um avião que pousaria em Floripa, depois São Paulo indo pra Brasília. Lá a gente fez uma “baldiação” pra outro avião pra Belém. O resultado disso foram mais de 10 horas de vôo. Pegamos o avião em Chapecó as 6da manhã e chegamos em Belém as 5 da tarde. Com o fuso dá 10 horas!
Arrebentados e o joelho doendo muito. Piscina no hotel e umas cervas com o Tuca. Depois gelo no joelho e show anoite.
Público sensacional, show de mais de duas horas. A gente fechou o festival e os caras da organização (fantásticos por sinal) deixaram a gente livre pra tocar até morrer! E foi isso que Belém viu. mais de duas horas de show com os velhinhos mais espevitados do rock brazuca.
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Voltei ao Bolg

25 de Novembro de 2009 @ 16:21 por alecavalo

Depois de um tempo fora do ar, voltei ao blog.
A loucura de shows, lançamentos e outros trampos me deixaram sem tempo pra escrever. Na verdade continuo com o tempo escasso por isso vou fazer uma sacanagem. Falarei sobre os shows que forem acontecendo e da nova tour!
Começando por Floripa (John Bull dia 11 de nov), fola no dia 12, Curitiba (dia 13 de nov).
Floripa foi ducaralho! Casa lotada em plena 4ª feira. Gente muito legal. O Paulão voltou pra Sampa pra trampar e a gente seguiu pros Ingleses onde a gente tinha uma casa alugada e teríamos um dia de folga na 5ª.
Folga na quinta, praia e futebol. Nem tudo são mazelas. Fodi o joelho e ainda tinha mais 3 shows no final de semana, mas foi um ótimo dia! Acabamos a noite fazendo um churrasco com muita cerveja e outros aditivos.
No dia seguinte seguimos de ressaca pra Curitiba pra fazer o lançamento na livraria e show a noite.
Paulão não conseguiu embarcar e perdeu o lançamento na livraria e ficou puto. Com razão, tinha comprado passagem semanas antes.
O lance foi muito legal, conversa com a galera e muitas risadas. A banda toda foi e curtiu.
A noite show incrível no Moinho em Curitiba e eu manco. Saímos correndo para Chapecó! A terra das moças lindas. Mas essa é outra história!

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Novo Show

1 de Novembro de 2009 @ 19:53 por alecavalo

Eu estava esperando fazer alguns shows com o novo repertório pra saber se a gente tinha acertado a mão nas músicas. Porra, e não é que o show novo foi muito bem?
O mais legal é que, apesar de ter entrado 10 músicas novas, ouvi muito pouco pedidos de canções durante o show, coisa que vinha acontecendo com uma certa constância antes do NBCL.
O importante é que tudo funcionou. Desde o novo palco, com tapadeiras para os amplis, cenário novo e infláveis até o novo figurino. Nossas roupas mais discretas e as extravagâncias de sempre do Paulão. A Ju está belíssima, com uma coleção de roupas de dar inveja.
As músicas novas cairam como um luva no show, ainda temos uns detalhes pra acertar, uma ou outra que vai mudar de lugar mas acredito que essa será nossa maior e melhor tour.
Agora que o trem está nos trilhos vou começar a planejar o projeto velhas Virgens 25 anos que será em 2011. Muita coisa vai acontecer até lá!
Começo do ano que vem quero lançar o filme e fazer o número dois das Aventuras em quadrinhos das Velhas.
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Surpresa no pré-lançamento do CD no Paraná!

8 de Outubro de 2009 @ 00:43 por alecavalo

Uma coisa bastante estranha nos aconteceu no lançamento do Livro e do CD na Letras Mega Store. Uma livraria bacana no shopping Palladium de Ponta Grossa/PR.
Chegamos as 16 horas como era previsto e a gente esperava se sentar calmamente, tomar umas cervejas e conversar com alguns fãs. Era esse o espírito. A surpresa foi que uma grande fila nos aguardava dentro da livraria. Tinha umas meninas que gritavam e choravam, telão exibindo o novo clip, mesa com cerveja farta, tratamento vip. Olhei incrédulo pra tudo aquilo, e mais incrédulos estavam os outros companheiros de banda. Autografamos cds e livros até as seis da tarde sem folga. Espero que daqui pra frente seja assim. Fiquei mal acostumado.
Aqui vai o resultado das vendas na Letras MS:
“As eletrizantes e etílicas aventuras das Velhas Virgens” - Livro escrito por mim, desenhado pelo Deivy Costa e André Andrade e editado pela Realejo ficou em 5 lugar como mais vendido do período de 15 dias.

Já o CD “Ninguém Beija Como as Lésbicas” ficou em primeiro lugar.

E o DVD de 21 anos ficou em nono!

Caraca, três produtos entre os 10 mais. Acho que precisamos fazer mais dessas travessuras!

Mais uma canção pra vocês:
bortolotto blues (a.dias/p.carvalho) meu bem, eu não te traio porque dá muito trabalho | chifrar é uma coisa complicada pra caralho | ficar atento a bilhetes e telefones é cansativo | precisa ficar ligado e eu não consigo | meu bem, eu não te traio porque me cansa demais | transar com mulher nova tira a nossa paz | precisa descobrir o que é que excita a outra | depois tem que fazer um esforço filho da puta | então vê se goza logo | pra gente voltar pro bar | querida, eu não te traio porque é preciso estar atento | com nomes, horários, chaves e até pensamentos | precisa abrir o olho quando ficar chapado | e se falas dormindo, então estás ferrado | amor, eu não te traio porque é muito difícil | esconder segredos, encontrar mil artifícios | por mais que a gente se ligue, sempre rola comentário | por mais que a gente varie, sempre acaba no armário | então vê se goza logo | pra gente voltar pro bar | benzinho, eu não te traio porque haja criatividade | pra inventar desculpas sem perder a credibilidade | a gente se confunde, gagueja e se entrega | num desses pulos eu sei que vc me pega | coração, eu não te traio porque tá tudo facinho | almoço, cachorro, jantar, criança, passarinho | pra que confundir as coisas e arrumar pra minha cabeça | chifrar cansa demais, inclua-me fora dessa | então vê se goza logo pra gente voltar pro bar.
Bortolotto ENVIO - Bortolotto ENVIO

Agora é pra valer

3 de Outubro de 2009 @ 19:36 por alecavalo

Agora é pra valer. O CD está na mão e vamos começar a trabalhar!
Faremos alguns prés-lançamentos donovo show pra testar asmúsicas do NinguémBeija Como as Lèsbicas. Por enquanto a aceitação está ótima, vamos ver o que acontece ao vivo. O show ainda está longe de ficar 100% mas é muito bom mudar depois de 4 anos fazendo o Cubanajarra. O Paulão olhou ontem para o set de músicas do show antigo e disparou: “É como uma mulher gostosa que você não vai comer mais!”. Ele tem razão, o show do Cuba era muito foda. Levantava a galera mesmo. Agora vamos a lutsa pra fazer o NBCL virar também. Muita coisa nova. O mundo gira.
O que as pessoas tem falado pra mim é que adoraram o disco, a arte, as músicas a idéia, enfim, o produto todo. Mas ao vivo é outra coisa.
Agora mais uma letra do novo cd:

a última partida de bilhar (a.dias/p.carvalho)
depois de tantos anos na balada | concluiu que aquilo tudo | só podia dar em nada | resolveu mudar seu rumo | organizou então a despedida | convidou as moças da avenida | e foi pro bar para jogar | a última partida de bilhar | bebeu mais do que podia | misturou cachaça com sinuca | adoçou seus beijos com bituca | e chorou ao nascer do dia | sentou no meio fio | junto dos companheiros de taberna | misturados a damas no cio | com uma garota em cada perna | a última partida de bilhar | sentiria falta das discussões acaloradas | e dos beijos roubados sem compromisso | polêmicas que iam dar em nada | fechar os bares e tomar a saideira | inventando desculpas pra não ir embora | as 10 da manhã de uma terça-feira | a última partida de bilhar | passou dias atrás de uma mesa | os olhos vidrados no computador | pensando em como drenar aquela represa | que o afogava causando tanta dor | dali pra diante era tudo seriedade | da casa pro trabalho e pra academia | do almoço pro jantar e a asfixia | olhava pra lua de dentro do seu quarto | sonhava com os dias de alegria | lá se foram as noites de boêmia | a última partida de bilhar
Bilhar ENVIO - Bilhar ENVIOencarte nbcal - encarte nbcal

O gênio da garrafa

1 de Outubro de 2009 @ 13:55 por alecavalo

o gênio da garrafa (p.carvalho)
envelhecido em barrís de carvalho desde o início dos tempos | eu sou o gênio da garrafa e vc tem direito a três desejos | pode dizer o primeiro preu começar | mas só atendo pedido de quem vira sem babar | - eu quero salvar a amazônia, o pulmão do planeta | papo furado, meu velho, vê se não me irrita | tá provado que a amazônia consome todo ar que fabrica | o máximo que eu posso fazer é te dar uma piscina de cerveja | jogou um desejo fora mas ainda tem direito a dois | eu sou o gênio da garrafa, pense bem pra não se arrepender depois | pode dizer o segundo, mas muita atenção | eu só atendo pedido de quem tá com o copo na mão | - eu quero que todo mundo vire vegetariano | tá louco compadre, não come carne e quer me por no jejum | como é que a gente fica sem picanha, é desumano | o que eu posso fazer é te dar dois fígados pra demorar mais pra ficar bebum | (solo) | vc só tem direito a mais um desejo, diga logo preu ir pro bar | eu sou o gênio da garrafa e minha sede não pode esperar | pode dizer o terceiro e não adianta insistir | eu só atendo pedido de quem bebe até cair | - eu quero que não exista mais álcool e nem fumo | tá louco parceiro, entrou pra religião | sem drink e sem fumaça no mundo eu sumo | de vez em quando todo mundo precisa ficar doidão (eu quero ficar doidão) | agora eu vou. eu vou, eu vou pra dentro da garrafa, agora eu vou!

Olha o visual novo da banda com o tal Genélvis, a Ju sensacional e a banda elegante:

Foto web1 - Foto web1

O amor é outra coisa

30 de Setembro de 2009 @ 12:13 por alecavalo

Tem um monte de bandas falando de amor.
Algumas falam de um jeito talentoso, mas a maioria não sai do lugar-comum. Um saco. Uma coisa meio Disney onde o amor é colocado como a salvação de tudo ou como uma coisa patética.
As Velhas Virgens acham que o amor é outra coisa.

Texto tirado da ópera tosca “Ninguém beija como as lésbicas”

Falas do Mentor do mundo de dentro da garrafa:

Nos últimos dias | dentro da garrafa | passou por momentos de intensa exploração midiática da vida pessoal de seus maiores ídolos. Movidos pela vil e insaciável sede da maledicência, nosso povo foi para as ruas comentar e questionar o conteúdo polêmico da super produção: ninguém beija como as lésbicas. A moral de personagens que antes simbolizavam os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade de | dentro da garrafa | foi manchada com acusações infundadas de intolerancia, preconceito, homofobia.
Devotaram tanta atenção ao fuxiquismo e á fofocagem que se esqueceram das três leis primordiais deste mundo fantástico que conduzo:
- as doze horas no bar
- a camaradagem entre inebriados
- a embriagues como forma de libertação
O mundo lá fora, vira e mexe, tenta nos impingir suas piores qualidades. E diante deste evento cinematográfico, mostramos não estar imunes ao veneno que vem do mundo exterior. A excessiva racionalização da vida. A banalização da amizade. A quantificação dos sentimentos.
Temos que nos refugiar aqui, | dentro da garrafa |. Só aqui imperam a alegria e a sinceridade. Nossa casa é aqui!
E aqui | dentro da garrafa|. Cada um que escolha seu modo de amar e ser feliz.
O mundo de fora é o mundo. | dentro da garrafa | é outra coisa. Aqui, o amor é outra coisa.

amor é outra coisa (p.carvalho)
amor não é uma coisa que te tira do chão e te transporta para lugares onde você nunca esteve. o nome disso é avião | amor não é aquela coisa que tira sua respiração e sua fala e te deixa totalmente sem ar. o nome disso é asma | amor não é uma coisa que te ilumina no escuro, te leva até as estrelas, te traz de volta e desaparece sem deixar vestígios. o nome disso é abdução | amor não é uma coisa que te pega de surpresa, te transforma em refém e toma de assalto tudo o que você tem. o nome disso é ladrão | amor é outra coisa!!! | outra coisa!!! | amor é outra coisa!!! | outra coisa!!! | amor não é uma coisa que te embrulha o estômago e deixa marcas por onde passa. o nome disso é diarréia | amor não é uma coisa que você guarda lá dentro e não deixa ninguém tocar e nem ver. o nome disso é vibrador | amor não é uma coisa que chega sorrateira e pula o muro quando o dia amanhece. o nome disso é gato | amor não é algo que foi perdido e quando é reencontrado pode mudar tudo o que está á sua frente. o nome disso é controle remoto | ref: | amor não é paixão, paixão não é felicidade, felicidade não é grana, grana não é fama | fama não é alegria, alegria não é amizade, amizade não é amor. porque amor é outra coisa.
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